A beleza de permitir novos Agoras

A beleza de permitir novos agoras

Eu comecei a escrever como uma tentativa de me expressar. E de me conectar.

Digo uma tentativa porque eu segui uma intuição, uma voz escondida dentro de mim e que queria sair, se fazer ouvir. Ou quem sabe, ser lida. E é na escrita que sempre me senti mais à vontade.

Nessa minha jornada de descoberta de mim mesma, a escrita tem sido minha companheira; ela não é apenas é minha voz, mas também é meus ouvidos. É uma amiga atenta que ouve tudo sem me julgar e, às vezes, me mostra aspectos sobre mim que nem eu mesma conhecia.

Tenho vivido uma jornada interessante. Quando me formei em jornalismo, achava que bastava uma boa ideia e uma boa técnica para dizer o que queria, mas descobri que isso fazia das minhas palavras “apenas mais uma”. Isso não era o suficiente pra mim (e ainda não é); eu queria mais, eu queria ser especial, eu queria ser lida por quem eu sou. Mas para isso preciso saber quem eu sou de verdade.

E não é que encontrei nas próprias palavras o recurso que eu precisa pra isso?

 

Conhecer quem a gente é de verdade precisa de uma certa coragem (ou muita, em alguns casos) e de disposição para aceitar nossa “imperfeições” e “fraquezas”, como aceitamos do nosso amado(a). Aliás, já percebeu como é mais fácil aceitar os “defeitos”de alguém que a gente ama do que os nossos?

Uso essas palavras entre aspas porque, apesar de reconhecer meus “defeitos” e “imperfeições” – como todo mundo que ainda se encontra nesse processo – esses conceitos só existem porque estamos presos numa escala de valores sociais, que julga e separa tudo entre BOM ou MAU. Mas… quando abrimos mão do julgamento, tudo e todos são realmente perfeitos, apenas são o que são.

Sim, essa ideia é mais fácil dizer do que aplicar, ainda hoje me pego brigando com ela. Tanto que descobri que somente quando eu aceitar minha vulnerabilidade (assunto brilhantemente abordado pela Brené Brown em seus livros) me tornarei inteira. E minhas palavras terão o valor que busco.

A grande ironia disso tudo é que aceitar minha vulnerabilidade começa com a minha coragem – mesmo que atrapalhada – de me expor.

 

Fiquei muito tempo sem postar, mas não sem escrever. Vivo cercada de journals e as Morning Pages são parte do meu ritual diário. Mas eu pensava que devia compartilhar apenas os meus “sucessos”, pra incentivar as soluções, e não os processos em si (e meus dilemas ao lidar com eles). E então percebi que, ao fazer isso, estava negando compartilhar também parte de quem eu sou, parte da minha verdade, e que não estava sendo realmente autêntica, inclusive comigo mesma.

Veja, eu continuo acreditando que nosso foco deve ser sempre a solução, mas a solução só começa a se desenrolar à partir do momento que a gente identifica e aceita um determinado problema. E aqui não me refiro a ficar analisando problemas à partir de uma posição de vítima, mas como um ponto de partida para se chegar aonde desejamos, e não importa o assunto.

Nos tornamos corajosos quando reconhecemos e aceitamos nossos medos, e é isso que também quero compartilhar.

Parece clichê, mas a vida é uma grande jornada, onde o percurso é mais importante que o fim (apesar de eu não acreditar que existe um fim). Por isso ela é um processo, uma sequência de AGORAS. E quanto mais AGORAS diferentes e plenos criarmos, mais rica e satisfatória ela – a VIDA – será.

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