Como aprendi o valor do desapego emocional

Como aprendi o valor do desapego emocional

Como aprendi o valor do desapego emocional

De vez em quando eu ainda me pego tentando ignorar sentimentos que me fazem mal, mesmo sabendo que eles continuarão ativos atrapalhando minha vida. E essa semana, após uma sessão de journaling percebi a diferença causada por ter feito, conscientemente, um desapego emocional.

Entendo que temos uma dificuldade enorme de se desapegar seja do que for – coisas, pessoas e sentimentos – talvez porque nos identificamos com essas coisas de tal forma que, se abrirmos mão, deixaríamos de ser quem somos. Mas a verdade é justamente o oposto, pois ninguém é um algo pronto, acabado, estático. O que nos serve num momento pode não servir mais em outro, e continuar carregando essa bagagem emocional é cansativo, desnecessário e totalmente “um atraso de vida”.

Sessão de journaling

Particularmente, eu preciso tornar essa emoção mais “real”, de forma que eu a veja fora de mim. Por isso, a pratica do journaling se mostrou tão eficaz. Enquanto enfeito minhas páginas e deixo a escrita fluir, a emoção se manifesta e se “condensa” no papel, e eu posso, finalmente ser apenas uma observadora da situação. E somente quando eu vejo o que está me incomodando por essa perspectiva eu consigo realmente me desapegar.

A primeira coisa que preciso para garantir um desapego emocional eficiente é descobrir o benefício que aquela emoção me trazia, pois por pior que seja um sentimento ou emoção, eu só a sentia porque eu precisava dela em algum momento da minha vida. E se hoje ela me traz problemas de forma consciente, é porque estou apta a liberá-la do meu sistema.

A segunda coisa é trabalhar minha aceitação da situação, pois nem sempre é fácil aceitar que em algum momento aquela situação era útil para mim.

Por exemplo, quando vivia o papel de vítima. Por muito tempo, essa era a única forma que eu sabia lidar com a minha vida, atribuindo a outros a responsabilidade de tudo de ruim que acontecia. Mas, eu poderia olhar para isso e ficar me criticando e nunca sair desse estado de fraqueza e inferioridade, ou aceitar e entender que hoje sou capaz de assumir a responsabilidade por ser eu mesma e pela minha vida, o que me torna uma pessoa naturalmente forte.

O desapego emocional também encontra resistências

O desapego emocional, assim como todo tipo de desapego é sempre um desafio para mim, pois venho de uma criação de acumuladores, que acreditam na escassez, no medo pelo futuro, e num tipo de homenagem ao sofrimento dos nossos antepassados. Sabe como é quando a pessoa pensa que tem que guardar hoje pelo que nossos antepassados sofreram por não ter?

A minha “sorte” é que apesar de inconscientemente ainda me apegar a muita coisa (ou sentimento) conscientemente estou sempre querendo somente o que me é útil ou me interessa no momento, então de alguma forma, em algum momento, procuro uma forma de me desapegar de todo o resto.

Acredito que um dos fatores que nos torna tão apegados a qualquer coisa é nossa mania de julgamento. Se classificamos tudo entre certo e errado, bom ou mau, e queremos carregar conosco o “rótulo de certo e bom”, então precisamos nos apegar a tudo que julgamos como certo e bom. À partir do momento que liberamos algo, é como se o colocássemos automaticamente do lado do errado e mau. Nossa, esse tipo de análise me deixa com dor de cabeça hahahaha 😃

Ok, mas agora posso entender que só preciso saber o que me é útil ou do meu interesse nesse exato momento, e o restante simplesmente não é da minha conta. Só o fato de pensar assim já é um tremendo de um desapego! Isso é bem mais fácil de administrar intelectualmente (afinal nossa mente cobra alguma explicação, mesmo que simplista) e não requer nenhuma análise complexa. Não preciso julgar nada, apenas escolher conscientemente, o que fica ou não comigo.

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