Conhecimento ocupa lugar sim

Conhecimento ocupa lugar sim

Conhecimento ocupa lugar sim

Sabe aquele ditado que diz que conhecimento nunca é demais, que não ocupa espaço? Pois é, pode ser bonito, mas é uma tremenda mentira!

Confesso, sempre fui meio compulsiva por conhecimento. Todo tipo de conhecimento: medicina, psicologia, comunicação, física quântica, neurociências, misticismo, antropologia e outras coisas que talvez nem tenham nomes ainda. O simples fato de aprender algo novo me fascinava. Bem, é verdade que ainda tenho essas recaídas. Mas o fato é que depois de muito tempo acumulando muito conhecimento percebi como a vida vai ficando mais difícil. E pior, mais vazia.

Sei que isso parece contrário à tudo que nos ensinaram, mas carregar tanta informação nos faz querer achar lógica em tudo, causa e consequência, explicação, como se viver fosse uma atividade com um único tutorial a ser seguido.

Já percebeu que até mesmo quando se trata de um tratamento pra uma doença, que foi aprovado pela ciência, funciona para uma pessoa, mas não funciona para outra com o mesmo problema? Por que isso acontece? Até mesmo a ciência “muda de ideia” de tempos em tempos, e o que era verdade deixa de ser.

Como para mim, o conhecimento aleatório não tem muito valor, sempre procurei uma explicação para esse tipo de questão. Depois que comecei a meditar (porque precisava urgentemente acalmar menus pensamentos que já estavam me deixando louca!) e aprender a deixar as informações externas fora de mim – pois é lá que elas devem ficar – e a confiar nas informações que eu obtinha de mim mesma, aí sim, tudo começou a fazer mais sentido.

Em primeiro lugar, toda e qualquer informação externa é apenas e tão somente a conclusão de uma pessoa (ou mesmo grupo de pessoas) sobre um determinado assunto, sob um determinado ponto de vista.

A compreensão disso me liberta de adquirir crenças que não são coniventes comigo. Sim, porque nós escolhemos no que acreditar, e não estou falando apenas numa base teológica. Falo em relação à ciência, à cultura, a sociedade em geral. Tipo, mulher depois da menopausa engorda e é difícil emagrecer; sucesso é ter muitos bens; só quem se esforça muito tem algo na vida etc. Na verdade, tudo isso é crença. Tanto que é fácil encontrar pessoas que não se encaixam em algumas delas, e aí dizemos que ela tem sorte. Bom, até ter ou não sorte é uma crença.

Porém, como acreditar em algo diferente que vemos acontecendo todos os dias? Ou que foi “comprovado pela ciência”? Nessas horas entendo o outro ditado que diz “a ignorância é uma benção”, ou então, “sem saber que era impossível, ele foi lá e fez”.

Conhecimento pode te tornar inteligente, mas não sábio

E agora vejo como é importante me libertar desse vício, dessa necessidade que tenho de buscar mais e mais conhecimento fora de mim, substituindo-o pelo conhecimento válido – para mim, é claro – e que só consigo quando ouço minha voz interior. Essa é a real diferença entre ser inteligente – alguém que acumula conhecimento alheio, e sábio – aquele que descobre conhecimento válido para si mesmo.

Assim, vejo que uma real transformação é quase como aqueles programas de transformações, onde as pessoas jogam fora todas as roupas antigas e ganham novas que reforçam seu estilo pessoal. E viver é algo pessoal, não adianta seguir os passos de ninguém. Você pode olhar, avaliar, e então escolher se serve ou não para você. Mas nunca aceitar que porque serviu para alguém, mesmo se alguém é uma autoridade no assunto, ou cientista, vai servir pra você também.