Conversa com espelhos

Conversa com espelhos

Conversa com espelhos

Confesso ter sido aquele tipo de pessoa que reclamava de tudo e de todos. E é claro que toda reclamação tem atrelada à ela julgamentos e escalas de valores. Acredito que esse tipo de comportamento seja, de alguma forma, uma conversa com nossos espelhos, uma maneira que encontramos pra justificar nossos próprios valores e crenças, e nossas ações, é claro! E tudo isso porque no fundo, não nos consideramos incondicionalmente perfeitos e portanto precisamos conquistar certos valores para sermos merecedores de algo.

Felizmente, hoje já consigo ver essa situação de fora. Não estou 100% livre desse tipo de comportamento; às vezes ainda me pego reclamando e julgando alguém, principalmente pessoas com quem convivo mais. Porém, acabo sempre me perguntando “o que essa reclamação / julgamento está querendo mostrar a meu respeito”? Com certeza, essa pessoa está mostrando o reflexo de algo a ser trabalhado em mim mesma.

Esse é mais um conceito difícil de aceitar: que nós temos das pessoas suas versões que refletem nossas próprias vibrações, pensamentos, crenças e desejos. Uma vez ouvi um comentário muito interessante (não me lembro de quem) que, se a gente quer mudar nosso reflexo no espelho não adianta ir até o espelho e mudar lá, precisamos mudar o modelo que está sendo refletido. Assim, tudo e todos ao nosso redor tornam-se nossos espelhos, o que torna fácil estar sempre dando aquela checada em como anda nossa vibração, como fazemos diante de um espelho ou um vidro de carro ou vitrine para ver se o visual está legal.

Toda pessoa com quem convivemos é um espelho de nós mesmos

Sinceramente, é bem mais fácil quando assumimos a responsabilidade por nossa felicidade. Libertar-se dos julgamentos e culpas, principalmente contra nós mesmos, e encarrar nossa vida como uma ida ao supermercado: escolhemos o que queremos, ignoramos o que não queremos, escolhemos algo novo pra provar – gostamos de algumas coisas e a escolhemos de novo, e algumas coisas não gostamos e nunca mais a escolhemos.

Parece difícil? Pode ser no começo. Mas com a prática, vamos aprendendo como viver pode ser prazeroso e sem sacrifício, e todas as pessoas com quem convivemos podem ser interessantes, pois elas só vão refletir em nossas vidas aquilo que “combina” com a gente. E quando um espelho nos mostra algo que não gostamos, não adianta brigar (literalmente) com o espelho. O melhor, é descobrir o que em nós provoca aquele reflexo, e então escolher algo melhor.

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