Deguste a vida como um Gourmet

Desfrute a vida como um gourmet

Deguste a vida como um Gourmet

Sempre admirei aquele tipo de pessoa que chamamos de gourmet. Essa admiração vem de como ela sempre valoriza a qualidade em relação a quantidade. Um gourmet de verdade, prefere um quadradinho do melhor chocolate a um quilo de um chocolate “meia-boca”. Ah, e ele sabe degustá-lo como se fosse o único chocolate do mundo, fazendo desse momento um verdadeiro ritual.

Partindo do ponto que comer é um dos prazeres da vida, e uma vida bem vivida deve ser uma vida de prazeres, adotei como filosofia uma vida gourmet: mais do melhor, sempre! E nem sempre o mais vem da quantidade. Quando nos entregamos integralmente a um momento, independente do que que seja, mas estamos de corpo e alma nele, um segundo pode parecer uma hora ou uma vida. Não nos importa o ontem ou o amanhã. E isso vale para uma porção de tiramissu ou o beijo da pessoa amada.

Passamos tanto tempo acumulando coisas porém nem sempre realmente “degustamos” de nossas conquistas. Quando vejo um risco no meu carro, uma dobra no meu livro favorito, ou até quando quebro uma taça de vinho quando estou lavando-a, na verdade penso: “bom, pelo menos isso aconteceu enquanto eu estava usando”. Conheço gente que guarda a melhor louça, a melhor roupa, para uma ocasião especial (que cá entre nós, essa ocasião especial nunca chega). Pior, acaba quebrando a louça quando vai tirar do armário!

Todo momento deve ser especial, e nosso objetivo deve ser sempre agradar a nós mesmos em primeiro lugar, com conforto, com beleza, com alegria. Adiar a felicidade é comer um prato frio, e às vezes até vencido, onde no final não haverá nenhuma satisfação. Assim, penso que ser um gourmet é se entregar ao momento, um lapso de tempo que se torna infinito naquele único acontecimento.

Ser um gourmet é ter uma vida meditativa

Para os orientais esse é o signficado de uma vida meditativa, pois meditar não é apenas sentar numa posição complicada e “silenciar a mente”. É viver como testemunha do momento presente, esse exatamente agora. Gosto de meditar dessa forma tradicional, e faço isso todos os dias. Mas me parece que essa visão tradicional está também relacionada a muitas renúncias, acima de tudo do prazer imediato, e por isso gosto da ideia do gourmet. Até o momento mais conturbado pode ter algo de prazeroso depois de um tempo de “treino”.

Até esses momentos que páro para escrever, organizar minhas ideias, me trazem alegria pois me permitem vivenciar internamente minhas descobertas, relembrar dos bons momentos, e modificar as lembranças dos momentos ruins. Nada acontece fora de nós sem antes acontecer dentro, e essa alegria alimenta minhas expectativas de mais momentos prazerosos ao longo dessa minha existência nessa dimensão, o que me torna independente dos acontecimentos externos.

Quando era criança e comecei a aprender o conceito tradicional de deus (hoje não acredito mais na existência desse ser), imaginava que ele era como um DJ, sentado diante de uma mesa de som e colocava a trilha sonora conforme os acontecimentos da nossa vida. Agora eu escolho os acontecimentos que quero assim como a trilha sonora, os cheiros, gostos etc. Mas, se eu não curtir isso tudo em sua totalidade, sempre haverá espaço para a insatisfação, que adia o valor da minha existência, muitas vezes disfarçado sob algum tipo de superação ou merecimento.

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