Dolce far niente – o prazer de fazer nada

Dolce far niente o prazer de fazer nada

Dolce far niente – o prazer de fazer nada

Conheci a expressão italiana Dolce far niente quando assisti ao filme “Comer, rezar, amar” e fiquei encantada com seu significado! Ela se refere aqueles momentos em que a gente faz absolutamente nada e curte não fazer nada. Para os italianos os norte-americanos – e nós brasileiros que imitamos os norte-americanos em tudo – não sabem simplesmente não fazer nada.

Dolce far niente não é descansar, é curtir o momento, algo muito parecido com o Carpe Diem (aproveite o dia), porém nesse caso entendi mais como a ideia de aproveitar o momento sem a intenção de conquistar nenhum objetivo, nem mesmo descansar.

Explicando melhor, hoje em dia é tão comum só nos dedicarmos a algo se esse algo nos promete algo em troca – como o trabalho ou uma vida “fitness” – que não sabemos fazer algo, ou se dedicar a algo pelo simples prazer do momento. Há até a expressão “passar o tempo” ou pior, “matar o tempo”. Afinal, estamos esperando o tempo passar para que? Para morrer?

Acho que sou a única pessoa que eu conheço que considera um grande acontecimento aproveitar o sol à beira da piscina, ou fazer maratona de filmes ou séries se estiver chovendo; falar besteira com os amigos e beber vinho e comer “comfort food” (comida que gera conforto emocional); ouvir música brega sem preconceito; dar risada sem motivo. Coisas simples da vida, que parecem mais autênticas que muitos dos planos de sucesso que fazemos para só então, um dia, curtir a vida; provavelmente lá no final dela, quando nossos corpos e disposição não aguentarem mais. Isso, se chegarmos a esse momento.

Viver é um verbo que só existe no presente, seja fazendo o trabalho que nos dá tesão, amando o amor da nossa vida, ou simplesmente não fazendo nada. Isso é o verdadeiro sentido de nos respeitar, de nos colocar em primeiro lugar. No final, todas as experiências são válidas, se nós permitimos vivê-las para reconhecer seu valor. Afinal, como vamos saber o que gostamos ou não, não é mesmo?

Dolce far niente é quase uma meditação italiana

Para mim, o conceito de Dolce far niente é quase a mesma coisa que uma vida meditativa – estado em que você aprende a estar 100% presente no seu agora. Ok, talvez não tanto, mas é um bom treino até chegar lá, afinal, enquanto não aprendermos a não fazer nada estamos esperando pelo futuro, então acredito que é um caminho muito lógico.

Aprender que minha vida tem muito mais significado quando não me preocupo em recheá-la de acontecimentos significativos ou tarefas que visam algum objetivo, tem sido uma lição diária, abdicando de julgamentos e culpas impostas a mim mesma. Nem tudo que nos acontece tem que ter um significado ou um aprendizado místico, e algumas coisas só terão valor tempos depois. Da mesma forma, nem todas as atividades precisam levar a alguma conquista. Às vezes, só precisamos ser platéia para um por-do-sol.

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