Gostar de solidão é gostar da própria companhia

Gostar de solidão é gostar da própria companhia

Durante muito tempo eu não gostava de ficar ou fazer nada sozinha, e meus momentos de solidão eram de sofrimento e angústia. Eu acreditava que eu sofria porque estava sozinha e, sinceramente, esse sentimento continuava mesmo quando tinha alguém por perto. Depois de muita “luta contra” a solidão, me rendi a ela e finalmente aprendi o que significa estar sozinha.

Como tudo na vida, se a gente pára de lutar e aceita, a gente consegue tirar proveito da situação: seja aprender algo ou apenas desapegar daquela experiência e passar para outra. E ao vivenciar minha solidão como uma observadora, aprendi mais sobre mim mesma e até a diferenciar a solidão que gera angústia – aquela que a gente sente mesmo estando no meio de uma multidão – daquela que gera liberdade – essa é a que a gente aprende a gostar da própria companhia, e poder escolher quando quer ou não outras companhias.

No meu caso, descobri que na verdade eu gosto muito de estar sozinha e há períodos que eu realmente preciso ficar no que eu chamo de minha “bolha”. Não porque me sinto triste ou deprimida, ao contrário, porque gosto tanto da minha própria companhia que não quero dividir esses momentos com mais ninguém. Também não significa que estarei meditando ou fazendo alguma prática espiritual bizarra. Provavelmente estarei assistindo minhas séries favoritas, escrevendo ou lendo, dirigindo… Bem egoísta, não? Mas é um egoísmo saudável e necessário. E quando finalmente saio da minha “bolha”, consigo realmente me integrar com outras pessoas, com o melhor de mim, e não mendigando atenção.

Aliás, ao nos conhecermos melhor, melhoramos nossas relações também, pois podemos perceber que talvez somos um “vampiro energético” que sugávamos a atenção dos outros;, ou então que na verdade não sabemos ouvir, e nossas relações eram unilaterais; e até mesmo o contrário, quando não sabemos nos impor o suficiente e somos “usados” por todos.

Acredito que nossa mania de colocar rótulos em tudo – também conhecida como mania de julgar – nos impede de vivenciarmos o que cada situação tem de melhor, como se o fato de eu gostar de ficar sozinha me impedisse de ter momentos acompanhada e vice versa. Para quem já conhece as leis universais sabe que o universo é inclusivo, ou seja, vamos adicionando, sempre.

Um grande problema que vejo em escolher extremos, é que nesses casos, independente da escolha, sempre haverá algo nos faltando, e toda relação que procuramos porque nos falta algo, é uma relação que já começa fracassada, porque sempre haverá um que cobra demais, enquanto o outro precisa prover o tempo todo.

Quem gosta de solidão são as melhores companhias

Pode parece um paradoxo, mas em geral, as pessoas que gostam de ficar sozinhas, são as melhores companhias também. Em geral são pessoas mais tolerantes, leves e sabem participar de uma conversa – o que implica falar “E” ouvir. Além disso, são pessoas mais de bem com a vida, que reclamam menos, estão mais tempo numa “vibe” alto astral. E sinceramente, todo mundo quer mesmo é estar perto de gente alto astral!

Acredito inclusive que quem diz que não consegue meditar é porque não sabe ficar sozinho também, e não porque é ansioso ou agitado. Talvez, uma coisa esteja relacionada a outra, mas começar a curtir a própria companhia pode ser um ótimo começo para uma vida meditativa também.

Gostar de solidão não é viver num retiro, é investir na companhia que estará com você até o final da sua vida. E de brinde, todos que te cercam também vão ganhar uma companhia melhor.

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