Grande Magia – Resenha

Grande Magia

Acho estimulante ver que a cada dia mais gente fala e escreve sobre criatividade, principalmente pessoas realmente envolvidas com a criatividade. E esse é o assunto principal do livro “Grande Magia”, de Elizabeth Gilbert (a mesma autora de “Comer, rezar, amar”).

O assunto por si só é maravilhoso, e só por isso já despertou o interesse na leitura. Mas confesso que fiquei um pouco dividida na minha opinião considerando como a autora desenvolveu o tema ao longo do livro, sendo brilhante sua abordagem em alguns aspectos, porém muito conservadora em outros (o que parece ir na contramão da criatividade, não é?).

Vamos aos pontos…

Em “Grande Magia”, Elizabeth Gilbert aborda o dom inato do ser humano para criar. Inicialmente, ela até extende a ideia da criatividade a todas as áreas (o que eu concordo 100%). Afinal, criar um produto, uma empresa e até um experimento para provar uma teoria requer criatividade. Isso sem contar nos pequenos detalhes do dia-a-dia, como improvisar um jantar com 3 ingredientes, ou criar uma história para entreter uma criança.

É fácil identificar que o foco da autora é estimular o leitor a criar, exercer esse direito e habilidade como forma de aproveitar todo o seu potencial, e isso sem ficar apegado aos resultados, encontrar a paixão que lhe faz produzir e suportar as adversidades do caminho.

… em algum ponto da nossa evolução, decidimos que era mais importante produzir itens esteticamente atraentes, porém supérfluos, do que aprender como obter alimentos de maneira regular.– Elizabeth Gilbert

Além disso, achei super válida a abordagem dela que desmistifica a arte, tirando-a de um pedestal e dom de poucos escolhidos; valorizando a prática constante como o caminho da excelência e destacando a autenticidade como atributo mais importante que a originalidade.

Tentativas de fazer algo original muitas vezes acabam parecendo forçadas e afetadas, porém a autenticidade tem uma ressonância singela que sempre mexe comigo.– Elizabeth Gilbert

Por outro lado – como eu disse acima – em certa parte do livro ela passa a tratar apenas da criatividade ligada às atividades artísticas. Isso, por si só, quebrou um pouco o encanto da proposta inicial. Mas para completar, ela defende a ideia de que as atividades artísticas não são profissões de “verdade” (isso me faz lembrar dos conselhos dos meus pais na época do vestibular), e por isso nenhum aspirante a artista deve esperar viver da sua arte.

Talvez nem todos tornem-se milionários como J.K Rowling ou Paulo Coelho, mas sim, há muita gente vivendo de atividade criativa (aliás, já se fala muito em Economia Criativa). E como já dizia Domenico De Masi há muitos anos, com as máquinas sendo cada vez mais responsáveis pelo “trabalho pesado”, ao ser humano restarão as atividades criativas.

Assim… se você for como eu que consegue peneirar as informações e tirar o que lhe for útil, o livro vale à leitura (afinal livro perfeito só o que cada um escrever, né não?). Para mim, o incentivo de produzir pelo prazer, para deixar minha marca no mundo, pensar na autenticidade da minha criação e estar realizada SÓ por isso, compensou cada minuto que investi.

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