O desafio de encontrar a própria voz e mostrá-la para o mundo

O desafio de encontrar a própria voz

O desafio de encontrar a própria voz e mostrá-la para o mundo

Escrever não é difícil. Difícil é encontrar a própria voz e ter coragem de mostrá-la para o mundo.

Eu sempre pensei que saber escrever em si não é nada tão extraordinário, assim como se fosse uma grande habilidade, afinal, todo mundo que frequentou a escola sabe, não é? Ao menos é o que se espera, afinal.

Mas agora percebo que a verdadeira habilidade não está na técnica em si, mas em como se usa essa técnica, como encontrar e usar a própria voz. E isso vale não apenas para a escrita, mas para toda forma de expressão.

Afinal, como seres humanos queremos deixar nossa marca no mundo, e é através da auto-expressão que fazemos isso; é o nosso diferencial que colocamos numa atividade comum a várias outras pessoas. E claro, esperamos que mais alguém “ressoe” a essa nossa individualidade. Isso é o que normalmente chamamos de reconhecimento.

Infelizmente, somos ensinados a reprimir nossa própria voz ainda quando somos crianças (isso acontece toda vez que somos criticados, muitas vezes sob a desculpa da “educação”) e quando isso acontece, nasce dentro da gente um ser alienígena que passa a fazer o trabalho de nossos pais e professores pela vida a fora: a tal voz da consciência que recrimina tudo que fazemos.

À partir daí passamos mais tempo nos comparando com outros do que criando; mais tempo julgando nosso trabalho do que apreciando a beleza de sermos tão únicos!

Talvez por isso as carreiras mais “mecânicas” sejam tão valorizadas hoje em dia. Tenho que admitir que são bem mais confortáveis, já que basta repetir a tarefa de forma satisfatória. Mas para um espírito rebelde como o meu, isso é como uma morte em vida com requintes de crueldade.

Libertar-me dessa consciência julgadora que carrego comigo tem sido meu maior desafio. Percebo que muitas vezes o que considero “bloqueio criativo” é, na verdade, julgamento. E pior, um julgamento que vem antes do acontecimento. Nossa, isso me fez lembrar do filme Minority Report, com o Tom Cruise!

Enfrentando os medos de expor a própria voz

Claro, falar sobre assuntos mais pessoais torna esse processo mais difícil, mas… enquanto escrevo sobre mim, descubro mais sobre mim. E encontrar minha própria voz significa também encontrar quem eu sou, na essência, sem interferências externas. E isso dá um certo medo! 🙂

Por isso não há uma receita que serve para todo mundo, encontrar a própria voz e seu próprio ser  é um caminho de tentativas: às vezes o resultado é positivo; às vezes negativo. Quando positivo, a gente continua; quando negativo a gente tenta outra direção. A gente só não desiste porque isso significa desistir de nós mesmos e, felizmente, a vida não nos deixa fazer isso.

Só é preciso ser um pouco “tinhoso” e mandar aquele juiz mental calar a boca toda vez que ele se meter. Afinal, ele não faz parte da nossa vida, ele não faz parte de quem somos. É apenas uma forma pensamento criada por uma educação deturpada e que alimentamos por muito tempo. E que no meu caso, faço o meu morrer de fome cada vez que publico um texto novo 🙂

 

 

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