O dia que comecei um journal

O dia que comecei um journal

O dia que comecei um journal

Um journal é uma evolução de nossos antigos diários. Na verdade, acredito que um diário reflete mais a rotina, enquanto que um journal explora mais nosso interior – pensamentos e sentimentos – e pode ser através de palavras e/ou grafismos/desenhos. Dito isso, independente do nome dado a prática, o importante é o que ela fez por mim (e pode fazer por você também).

Eu não vou defender a ideia de que há a necessidade de se escrever todos os dias. Na verdade, para mim, é importante eu escrever quando me sinto inspirada, e não tornar isso mais uma obrigação do meu dia. Afinal, se não é divertido, não vale a pena. Mesmo assim, tive que enfrentar alguns obstáculos para começar, e o primeiro deles foi o medo e a vergonha.

Pois é, meu journal não é algo público, mesmo assim, eu tinha vergonha de tornar concreto algo que estava dentro de mim, e o medo era do desconhecido. De fato, conforme vou escrevendo vou descobrindo muito mais a meu respeito. E isso não é teoria de autoajuda, é real. Muitas vezes, vivemos tanto no automático, que nem percebemos porque fazemos as coisas do jeito que fazemos, ou acreditamos nas crenças que consideramos nossas. E para escrever, temos que pensar, e ao escrever, esquecemos nosso lado controlador que permite o que está oculto aparecer.

Outro obstáculo foi o perfeccionismo. E acredite, hoje entendo a diferença entre perfeição e perfeccionismo (mas esse é outro assunto). O perfeccionismo é uma das características mais limitantes que uma pessoa pode ter, e eu tinha muito (mas ainda preciso lidar com isso). Como há muito sentimento e emoção envolvidos na prática, fica difícil se preocupar tanto com regras gramaticais, ortografia, ou qualquer tipo de lógica ou coerência. Na verdade, isso tudo só atrapalha, porque seu subconsciente tem uma linguagem própria, e tentar traduzir só atrapalha o processo! E foi ótimo, porque agora entendo o que é “deixar fluir”.

Escrever é uma forma de tornar nosso interior real (ideias ou emoções), e a prática do journaling (escrever num journal) me fez aprender a realmente olhar para meu interior – agora manifestado em frente a mim, deixar de lado os julgamentos, e aceitar quem eu sou e, com o tempo, gostar de quem eu sou, exatamente assim, sem precisar mudar nada.

Vale dizer também que, no journal, eu escrevo sobre coisas boas e coisas ruins, muitas das quais, eu gostaria de “me livrar”. E de fato, conforme vou permitindo que tudo que sinto sobre um assunto flua nas palavras, esses assuntos vão perdendo a importância para mim, e é muito interessante quando releio algo depois de um tempo, e vejo como agora aquele assunto parece tão sem sentido.

Escrever num journal deve ser uma prática constante

Conforme vou me dedicando ao journaling vou descobrindo mais sobre mim, e sobre os benefícios dessa prática. De maneira geral, um journal é uma ótima ferramenta para praticar o desapego emocional, e com isso permitir que a energia que cria mundos esteja sempre renovada em mim mesma. Afinal, é bem mais fácil ser feliz sem carregar peso desnecessário.