O mundo que existe fora da caixa

O mundo que existe fora da caixa

Lembro de uma de minhas primeiras provas de história quando era criança. Era difícil decorar tantos nomes, datas e acontecimentos. Minhas amigas “recitavam” os textos dos livros (ah, teve até o desafio máximo, decorar a letra completa de Faroeste Caboclo quando foi lançada!), e eu mal conseguia lembrar as primeiras palavras.

Nessa época, minha mãe me ajudava a estudar. Até hoje não sei como se ajuda alguém a estudar, mas isso deve ser coisa de mãe, e como não sou mãe não tive essa “aula”. Bom, o caso é que mamys sempre me dizia: “Você não tem que decora, precisa entender e então explicar com suas próprias palavras”.

No começo isso não era muito fácil, acho que me faltava vocabulário, e também coragem, para eu acreditar que era capaz de “explicar com minhas próprias palavras”. Pensando agora, isso é um avanço e tanto para uma criança: tomar posse de sua própria voz. Mas, eu levei a sério esse conselho, e a cada nova sessão de estudo eu ia aprimorando minha compreensão, meu raciocínio e minha forma de me expressar. Claro, naquela época eu só segui o caminho mais simples (para mim) para tirar boas notas na escola.

Esse hábito – se é que posso chamar assim – me trouxe o fato de eu nunca ter exercitado minha memória, e por isso tenho que admitir que tenho realmente uma péssima memória (ao menos no que se refere a memória do tipo “decoreba”), pois não consigo lembrar nem mesmo o nome das músicas e bandas que gosto (e isso vale para atores/atrizes, diretores e até alguns personagens).

Por outro lado, tenho um raciocínio afiado, relaciono assuntos diferentes com uma facilidade incrível, consigo achar falhas insignificantes em qualquer história e ler as entrelinhas. Pode parecer arrogância de minha parte, mas tenho uma compreensão acima do normal.

E é graças a essa compreensão que virei uma questionadora. Sim, questiono tudo (por isso nunca parei em nenhuma religião, pesquiso tudo que o médico diz no Google, leio de fontes diversas) e não aceito nada só porque foi dito por uma suposta “autoridade”. Em geral, quem é bom em decorar, se limita a acreditar em títulos e raramente aceita algo “fora da caixa”.

Não se pode negar que as grandes invenções da história só foram possíveis porque seus inventores ousaram pensar, ousaram questionar. Ah, não estou dizendo que sou uma grande inventora ou algo assim. Apenas me identifico com a forma de ver o mundo dessas pessoas.

Para nós:

  • O mundo é mais ilimitado (Será possível existir ilimitados de tamanhos diferentes?);
  • Existem mais perguntas do que respostas;
  • Precisamos aprender a viver com o desconforto da incerteza;
  • Não existem conceitos pré-definidos;
  • Qualquer coisa pode virar um grande mistério a ser investigado.

Não defendo que esse perfil é o certo e muito menos que deve servir para todos. É a diversidade que faz nossa existência rica. Mas ele tem funcionado muito bem para mim. E, se antes tinha vergonha de não lembrar o nome da música do Metallica, hoje tenho orgulho de ser uma pessoa de mente aberta e conseguir ver além de meu próprio tempo.

Acho que uma boa memória é importante sim, principalmente para não perdermos tempo reaprendendo coisas básicas para nosso dia-a-dia, mas o grande mistério da vida está no que ainda não foi definido. A vida é dinâmica e precisa de nossa colaboração para evoluir, e não há evolução onde já existe definição.

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