O que você chama de defeito, eu chamo de diferença

O que você chama de defeito, eu chamo de diferença

O que você chama de defeito, eu chamo de diferença

Estou tão cansada de ouvir expressões como “ninguém é perfeito”, “não é preciso ser perfeito para ser feliz”, que fica parecendo que somos todos um monte restos de peças humanas tentando apenas sobreviver, enquanto aceitamos que temos um defeito para ser corrigido.

Mas afinal, que perfeição é essa que todos almejam?

Será que o vermelho é a cor perfeita enquanto todas as outras são defeituosas mas precisam aprender a viver assim? Ou quem sabe, a acerola é a fruta perfeita enquanto todas as outras precisam se contentar com seus defeitos? E a gente poderia continuar com esse jogo infinitamente…

Apesar de todas as pessoas serem aparentemente iguais – e por isso podem ser facilmente identificadas como pessoas – cada uma tem uma cor, um sexo, uma raça, um tamanho, uma forma, seus próprios gostos e ideias. E isso não é defeito, isso é DIFERENÇA.

Enquanto aceitamos essa ideia de imperfeição vivemos nos subjugando, sendo as vítimas de uma sociedade doente em busca de uma padronização, pois assim é mais fácil governar.

Também não adianta dizer que perfeição não existe. O que não existe é uma DEFINIÇÃO para ela. Todo ser é perfeito do jeito que é e, em último caso, serve para contribuir com a diversidade e riqueza de nossa existência.

Já pensou como seria se só fôssemos capaz de ver a cor vermelha? Ou se só tivéssemos acerola para comer? Provavelmente nossa expectativa de vida seria curtíssima, pois morreríamos cedo, de TÉDIO.

Desista de consertar algum defeito

Aceitar nossas diferenças é, na verdade, aceitarmos quem nós somos, nossa individualidade, e isso deveria nos encher de alegria, de amor por nós mesmos!

Ao contrário, desde cedo, aprendemos a “lutar contra nossos defeitos”, numa vã tentativa de alcançar uma perfeição idolatrada (e como já disse, que não existe por definição) e assim, talvez, tornarmos seres merecedores (talvez isso seja resultado daquela ideia de pecado original que nos enfiaram – literalmente – na cabeça) .

Por isso não apoio nenhum tipo de data que enaltece alguma diferença, direito etc. Além de não apoiar nenhum tipo de “luta”, esse tipo de data é mais uma forma de reforçar a discriminação, pois a verdadeira igualdade vem do princípio de que toda e qualquer pessoa tem o direito de ser quem ela é e pronto, sem nenhum adjetivo, artigo, verbo ou outra classe gramatical.

Além disso, todo rótulo que usarmos – alto, gordo, rico, introvertido, geek, professor, esperto, tranquilo, etc – pode se tornar apenas mais um fator limitante em nossa jornada, pois tudo isso é efêmero, apenas um estado durante um intervalo de tempo, e não algo imutável e perpétuo.

Toda característica que se aplica a nós é apenas isso, característica, e não precisa ser classificada em boa ou ruim  (nossos defeitos). E toda característica pode ser mudada quando e se a pessoa quiser, mas porque esse é um desejo pessoal, do tipo EU PREFIRO, e não porque eu eu devo mudar para ser alguém melhor.

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