Pare de romantizar a doença

Pare de romantizar a doença

Tenho certeza que ninguém gosta de ficar doente, ao menos não conscientemente, mas a verdade é que existe o benefício inconsciente da doença, e é sobre esse benefício que se trata essa romantização.

Lembro-me das minhas aulas de literatura no colégio, e praticamente todo “grande” escritor carregava consigo um grande amor e uma trágica saúde. Acho até que ser escritor era quase sinônimo de ter tuberculose. E era toda essa “sofrência” que garantia a ele sua inspiração.

A doença, seja ela qual for, física ou mental, é vista como uma força externa que “atacou” a pessoa que a contraiu, tornando-a então uma vítima das circunstâncias. E aqui, encontramos o grande arquétipo enaltecido pela sociedade: a vítima. É até glamouroso ser vítima, automaticamente você passa para o grupo das minorias e… ganha atenção especial.

A questão é, quando somos vítimas de algo (seja pessoa, doença, circunstância etc) significa que estamos abrindo mão de nossa responsabilidade e, portanto, de nosso poder.

Sim, quando ficamos doente é nossa responsabilidade: nossos pensamentos e sentimentos estavam de acordo com a doença em questão; permitimos que ela entrasse em nosso sistema. Da mesma forma, é a consciência dessa responsabilidade que nos permite atrair a cura.

Há, atualmente, um certo movimento pelo reconhecimento das doenças mentais. Quanto a isso, sou totalmente a favor. Se considerarmos que doença é um desequilíbrio em nosso sistema, então é claro que depressão, ansiedade etc são doenças sim. Mas como TODAS as outras, só nos atingem porque assim permitimos.

Eu falo isso com tranquilidade porque eu mesma já tive depressão, ansiedade e ataque de pânico. Tomei remédio, fiz terapia, mas se hoje me sinto inteira novamente, é só porque assumi a responsabilidade de ter ficado doente e de ter desejado, do fundo do meu ser, me curar.

Acho estranho os conselhos do tipo: “depressão é doença, por isso não fale pra pessoa se ajudar”. Como assim? Se ela não se ajudar, quem vai? Remédio sozinho não cura ninguém, e eu sou totalmente a favor de remédios (se for indicado por um médico competente). Mas é claro que há jeitos e jeitos de se falar, né?

O importante nessa história toda é separar o que está acontecendo da forma como se reage a esse acontecimento. Não importa se você tem um resfriado, uma depressão ou câncer. Assuma a responsabilidade (não estou falando de culpa aqui; ninguém é culpado de nada) e queira se curar. Querer ser saudável não é negar a realidade, ou fingir que nada está acontecendo. É uma atitude interna, que te direciona a ajuda correta e eficiente.

Da mesma forma que não se resolve um problema com a mente que o criou, não se é saudável com uma mentalidade de doença; a essência da equação continua a mesma.

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