Pequenos Prazeres, Grandes Vícios

Pequenos prazeres, grandes vícios

Pequenos Prazeres, Grandes Vícios

Essa é uma verdade que dói, mas aceitá-la pode ser, ao menos, um passo para a liberdade. Estamos tão acostumados com certos prazeres que são vistos como saudáveis que nem percebemos como estamos viciados e alienados.

Enquanto videogames, programas da TV aberta ou mesmo mídias sociais levantam calorosas discussões, os prazeres “intelectuais”, como maratonas de séries ou filmes e leitura, são vistos como enriquecedores até.

É muito comum entre os nerds e intelectuais acreditarem que por causa de suas escolhas eles são mais conscientes, ou menos manipulados, que os demais. Mas no fundo, seja através da mídia tradicional, da Netflix, ou de uma montanha de livros, todos vivem a vida através da vida fictícia de outra pessoa.

Ah sim, eu me incluo nesse bolo quando o assunto é livro. Mas aí páro e penso: será que minha vida não está desequilibrada?

Ao longo do tempo, só consumimos a história alheia, e deixamos de escrever a nossa própria. Talvez por isso há tantos “críticos” de plantão, e tanta gente que tem medo de spoiler (afinal, a única SURPRESA da vida dessas pessoas é o que acontece na ficção).

Assim, o que era para ser um dos muitos prazeres da vida – e eu sou totalmente a favor de uma vida hedonista – torna-se a própria vida.

E a gente lê o livro que nunca vai escrever e assiste ao filme que nunca fará. Também não adianta usar como desculpa que não é um profissional. O que importa aqui é o que estamos deixando para o mundo, independente do formato. Se não contribuímos com nossa essência para a construção da realidade em que vivemos, somos só espectadores, seja da perspectiva que for.

Talvez nossos sonhos, geralmente sufocados, são o presente que temos a oferecer, e vivemos todos juntos para trocarmos esses presentes. Pensando assim, é até egoísmo só usufruir do que os outros estão produzindo, não é?

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