Prazer em boa companhia

Prazer em boa companhia

Eu me lembro de vários filmes que deixei de assistir no cinema (entre eles “Harry Potter e a Câmara Secreta“) porque… não tinha companhia para ir comigo.

E, pra deixar bem claro, não vou ao cinema assistir qualquer filme, somente o que eu gosto mesmo. Sei que tem gente que parece viver para consumir a produção alheia (assiste a todos os filmes, séries, lê tudo quanto é livro etc) mas esse não é o meu caso. Então, perder esse tipo de oportunidade é marcante para mim.

Também nunca comemorei o dia dos namorados, pois meus namoros nunca resistiram tempo suficiente para passar por essa data.

Ao longo da minha vida, fui notando que deixava de fazer muita coisa pelo “simples” fato de não ter ninguém mais para dividir o momento comigo. E isso me fazia sentir vazia, parecia que eu não VIVIA.

Foi aí que comecei a mudar, e buscar preencher esses “vazios”. Não implorando por companhia (odeio ter por perto alguém que se sente obrigado), mas cultivando a melhor companhia de todas, a minha própria.

Sério, isso não é bobagem, é o quesito máximo de sobrevivência e vivência plena. Quando a gente se apaixona em estar com a gente mesmo, a gente se liberta, e ganha o poder da escolha: escolher quando, como e com quem quer dividir os momentos. Sem a necessidade de dividir esses momento.

Desde então, não perdi mais nenhum filme que queria assistir no cinema, organizei maratonas de série, comemoro os dias dos namorados (com direito a presente!), organizo festas, vou sozinha a restaurantes e curto cafeterias, vou à noite de autógrafos etc. Ainda não tive coragem de ir a bares sozinha, mas quem sabe, não é? Um passo de cada vez e posso chegar aonde eu quiser, literalmente.

Tudo bem que às vezes sinto falta de ter com quem compartilhar as ideias que surgem, as opiniões. Mas quando penso o quanto isso é difícil disso acontecer com alguém que não tem nenhuma afinidade com você…

Já entendeu, né?  É aqui que a gente tem que reconhecer que ninguém mais é responsável por nada que nos afeta, seja nossa alegria, nossa tristeza, nosso sentido de estar viva.

Meditação é um bom começo para aprender a apreciar estar bem consigo mesma, mas a verdade é que se a gente não é capaz de fazer o que tem vontade independente de ter ou não mais alguém junto, ainda estamos nos enganando.

Concordo que não é fácil, mas não é impossível.

Lembro também quando, há alguns anos atrás, montei um negócio próprio e uma AMIGA nunca foi sequer conhecer. Acho que me sinto mal até hoje com isso, mas uma parte de mim se sente vitoriosa: fiz o que queria fazer.

Conheço gente que não é capaz de estar num ambiente sozinha, consigo mesma. Precisa ligar a TV para parecer que tem mais alguém em casa (pior são aqueles que deixam a TV ligada quando recebem visitas, né?).

No final dessa reflexão, é fácil entender porque a gente tem que ser como aquela pessoa que gostaria de ter sempre por perto, não é? Afinal, se a gente não suporta a própria companhia, como pode esperar que alguém mais suporte? E goste?

NO COMMENTS

GIVE A REPLY