Sobre atividades ativas e passivas

Sobre atividades ativas e passivas

Sobre atividades ativas e passivas

Eu estava pensando recentemente em como nossa sociedade interpreta as atividades de nosso dia-a-dia. De uma maneira geral, podemos dividi-las em dois grandes grupos que eu chamei de atividades ativas e passivas:

  • as Ativas: atividades onde participamos ativamente, tomamos iniciativa, interagimos, como praticar um esporte ou um hobby, nosso trabalho, cuidar da casa, passear com o cachorro ou brincar com as crianças;
  • as Passivas: são as atividades onde nos tornamos apenas receptores, como é o caso de assistir TV, dormir, ouvir música, ler, “navegar na internet”;

Num primeiro momento, não há nada de errado com nenhuma das atividades ativas e passivas, o equilíbrio entre elas é, na verdade, muito bem vindo. MAS… o problema surge quando começamos a associar as atividades ativas a TRABALHO e as passivas a LAZER.

De repente, estamos nos tornando uma sociedade cada vez mais inativa por considerar qualquer “esforço” (seja físico ou mental) um tipo de punição, e como estamos cansados de sermos punidos (em geral por causa de um trabalho onde não nos realizamos), estamos deixando de lado a parte de nós mesmos que torna nossa vida significativa.

Conheço mais gente que “passa o tempo” do que vive o tempo. E, confesso, eu ainda tenho que me policiar para não ser mais assim (é difícil mudar hábitos antigos). Mas também percebo como me sinto vazia ao deixar o tempo passar e perceber que não contribui com minha alma para esse mundo.

Há uma frase usada pelo Dr. Wayne Walter Dye (não sei se é dele ou ele só usava mesmo) que diz o seguinte “Não morra com sua música ainda em você.” E é claro que não se refere apenas a música em si, mas a qualquer contribuição que você tenha para oferecer.

Não somos apenas mais um nesse Universo, somos uma parte importante dele. E percebemos isso no vazio que carregamos ao deixar de lado nossa verdade que quer ser expressa.

Eu mesma me recusei a escrever durante anos, acreditando que escrever não era nada demais. Mas hoje entendo que não é a escrita em si que me torna quem sou como parte ativa do Universo, e sim minhas ideias. Mas se eu as guardar somente para mim, não terão muito valor.

E aqui, não me refiro ao valor monetário que podemos obter, apesar de que se isso acontecer será bem vindo. Nesse caso, o que acontece é que sentimos em nossa alma a verdade de que quanto mais damos, mais completo nos sentimos e, no fundo, isso é o que todos nós buscamos, além de ser a única riqueza que jamais perdemos.

Além disso, é através dessa prática “desinteressada” que surgem os grandes propósitos de vida. Assim fica fácil perceber por que tanta gente se sente perdida e sem propósito, vivendo “No trono de um apartamento / Com a boca escancarada / Cheia de dentes/ Esperando a morte chegar” (trecho da música Ouro de Tolo do Raul Seixas).

Então, que tal começar aquela aula de dança, escrever o livro, compor a música, construir o robô, fazer a viagem….?

Minha ideia sobre atividades ativas e passivas na visão de Raul Seixas 🙂

Se você leu até aqui, deixe seu comentário. Vou adorar saber qual é o seu presente para o Universo.

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