Um anjo em minha vida

Um anjo em minha vida

Há mais ou menos 10 anos, minha cunhada, durante um almoço de família, fez a seguinte declaração: “estou grávida”.

Pela primeira vez vou admitir, publicamente, que senti indignação e inveja. Pensei: “por que ela pode e eu não?”. Nem preciso dizer o quanto eu queria ser mãe, né? Mas isso só durou alguns segundos, talvez o mesmo tempo que via todo mundo cumprimentando os novos “papais”. Logo seguida, um novo pensamento surgiu na minha mente: eu seria tia, iria ver um serzinho nascer, crescer e, quem sabe, fazer parte da vida dele.

À partir daí, parecia que para onde eu olhava via bebês e coisas de bebês (olha a LdA em ação!). Quando soube que seria uma menina não me aguentei e comprei um body da Betty Boop com detalhes em vermelhos (olha a tia já tentando exercer influência nos gostos da sobrinha), e esse seria só primeiro dos muitos presentes antes dela nascer.

E quando esse dia finalmente chegou… Desde que minha mãe me avisou que ela tinha nascido não suportava a ansiedade, eu precisava visitá-la na maternidade. Detalhe, moramos em cidades diferentes, na época eu não tinha carro, mas convenci meu pai a irmos naquele mesmo dia no final da tarde.

Foi aí que tive meu primeiro grande momento com aquele ser tão especial que tinha acabado de chegar. Eu a peguei no colo e naquele instante tive certeza que meu coração foi tomado. É assim que a gente descobre o que é amar de verdade; não tem nada a ver com as bobagens ditas por aí disfarçadas de palavras bonitas. Amor é um sentimento que só se pode sentir e pronto. Quando se tenta explicar, já não é mais amor.

Tive que sair do quarto para que meus pais pudessem entrar (ela era tão lindinha, tão fofinha, tão pequena, tão… ok vou parar), e fiquei esperando na recepção. Alí, enquanto estava sozinha chorei. Chorei de emoção pelo nascimento da minha sobrinha, por ter virado tia e porque, finalmente, depois de tanto tempo de tristezas e amarguras, meu coração derreteu e se abriu de novo. Foi assim que soube que não tinha ganho só uma sobrinha, tinha ganho também um anjo. Sem asas, mas ainda assim, um anjo.

Poucos meses depois recebi outro presente, um convite para ser sua madrinha. Apesar de não ser religiosa, aceitei, até porque não poderia imaginar mais ninguém nesse lugar (olha eu sendo egoísta aqui!). Nunca falei de religião com ela, só conversamos sobre ser feliz.

Para mim, as crianças vêm ao mundo para nos ensinar, não para serem educadas; elas vêm nos lembrar o que realmente importa na vida. Pena que a maioria dos adultos pensam que elas precisam ser moldadas.

E é nesse clima de irmandade que nossa relação vem crescendo há nove lindos anos! Faço de tudo para participar ao máximo da vida dela, conversamos de igual pra igual; acompanho as diversas fases: da eterna princesa, da descoberta do amor pelos animais, da sedução da tecnologia, e até agora o momento que ela descobriu a procurar as “lógicas” do mundo. Ela é linda, inteligente, super esperta… mas nada disso a define. Ela é um amor por ser apenas quem ela é, e por isso ela também é capaz de me fazer ser uma pessoa melhor.

Agradeço todos os dias por tê-la na minha vida e sei que, de alguma forma, também faço parte da vida dela.

Ela não é minha filha, é “só” minha sobrinha, mas o amor que tenho por esse anjo está acima de qualquer laço de sangue ou documento. Tenho certeza que isso nunca vai mudar, não importa minha idade ou a dela. Ela será sempre meu anjo em forma de princesa.

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