Um encontro entre o espiritual e o material

Um encontro entre o espiritual e o material

Um encontro entre o espiritual e o material

O termo espiritual está no limiar de tudo que possa ser considerado pejorativo – como é o caso da autoajuda – ou do lado oposto, usado como ferramenta de manipulação – como é o caso das religiões. A verdade, é que podemos considerar espiritual tudo aquilo que está além da matéria, sendo que matéria é tudo que podemos identificar com um ou mais dos nossos cinco sentidos.

Isso sem esquecer que tudo, absolutamente tudo, seja material ou espiritual, é energia, em suas mais variadas formas e frequências (a título de exemplo, a matéria é uma energia com uma frequência inferior a velocidade da luz, enquanto o que é espiritual, possui frequências maiores que a velocidade da luz, e por isso não conseguimos captar com nossos sentidos).

Ok, tudo isso é muito técnico e pouco útil. O que quero abordar nesse assunto é a aparente separação entre esses dois mundos. Uma separação ilusória e prejudicial. Nas religiões é muito fácil ver essa separação: a pessoa vai à missa aos domingos (ou ao culto ou outro nome qualquer uma vez por semana), cumpre suas “obrigações” enquanto está no local sagrado mas durante o resto da semana, Deus só é lembrado no momento de desespero. Mesmo as pessoas que se dizem espirituais, mas não religiosas, ou seja não frequentam uma instituição organizada, dizem acreditar em algum tipo de ser supremo, mas continuam separando a crença espiritual do mundo material.

Eu mesma já passei por algumas religiões e escolas “de mistérios” mas nunca consegui ficar por muito tempo, até que percebi que meu problema era que eu não queria perder meu tempo com algo que eu não pudesse viver todos os meus dias. Para mim, não existe diferença entre sagrado e profano – tudo é sagrado, cada minuto da minha vida é sagrado, não de uma forma reverencial e mística, mas alegre e prazeroso.

Acredito na máxima que diz que somos seres espirituais vivendo uma experiência material, e não o contrário, e à partir dessa compreensão, é fácil entender que tudo em nossa vida tem caráter espiritual. Acho que esse conceito pode parecer um pouco assustador, quando se pensa que ser espiritual é algo sisudo, sério, cheio de “pode” e “não pode”. Mas também não acredito nisso. Quer um exemplo maravilhoso de algo 100% espiritual, olhe uma criança se divertindo numa poça de lama, ou um cachorro feliz quando seu humano chega em casa.

O único templo realmente necessário nessa existência para ter uma vida espiritual é nossos corpos, porque espiritualidade, assim como a felicidade, é um estado de ser. Gosto como Osho abordava esse tema (na verdade ele estendia ao conceito de religiosidade mas aí já não concordo muito), com alegria, celebração e amor. Quando passamos a ver tudo como espiritual não existem mais virtudes e pecados, acertos e erros, ou seja, não existem mais julgamentos e os milagres passam a fazer parte de nossa vida.

O espiritual e o material não anulam um ao outro

Mas não pense que por escolher viver uma vida mais espiritual você deve deixar de lado tudo que é material! Ao contrário, lembre-se que falei que tudo é energia, portanto, o mundo material é tão espiritual quanto qualquer outro. É comum algumas pessoas pensarem que para terem uma vida espiritual precisam abrir mão de tudo que é material, viver com pouco, meditando no isolamento etc. Nada disso! Isso é uma visão bem limitada da espiritualidade, comum nas religiões. Mas não defendo isso, de maneira alguma.

Ter uma vida materialmente confortável e abundante nos permite viver toda nossa potencialidade como seres encarnados. Lembre-se, ninguém tem que provar merecer nada, e a abundância material não é um troféu aos vencedores. É um meio para termos novas experiências e assim enriquecermos nossas almas, porque no final, são as experiências que realmente contam. São elas que permanecem na memória com o passar do tempo, e que podemos levar para outras dimensões.