Um peixe fora do ninho

Um peixe fora do ninho

Um peixe fora do ninho

Desde que me lembro ser alguém, sempre me senti um peixe fora do ninho, um ET que caiu sem paraquedas nesse planeta. Parecia que eu não fazia parte de nada: da minha família, das escolas que frequentei, das religiões pelas quais passei (hoje sou livre de todas), dos grupos escoteiros que fiz parte, locais de trabalho e tantos outros grupos que tentei me integrar. Claro, eu conversava, participava, mas era como se eu fosse sempre uma convidada. Me sentia um peixe fora do ninho até mesmo em meu próprio corpo.

Esse sentimento de inadequação, de não pertencer, ser literalmente um peixe fora do ninho, sempre me deixou triste por um lado, e com saudade por outro. Saudade de um lugar que nunca soube onde é; talvez meu planeta natal, a realidade paralela de onde vim, sei lá. De alguma forma, ainda sinto essa saudade, mas já não fico mais triste.

Nesse caminho de compreensão e experimentação fui entendendo que eu crio minha realidade – assim como todas as outras pessoas – e por isso mesmo devo criá-la conforme o meu desejo, e não apenas “comprar” a realidade dos outros e replicar na minha. E em geral, é isso que aprendemos a fazer desde muito cedo. Quando ouvimos coisas como: “encare a realidade”, “mantenha a cabeça nas nuvens e os pés no chão”, “a vida é assim, você tem que aceitar” e tantas outras ideias parecidas, na verdade estamos reproduzindo o que conhecemos e que, mesmo não sendo o que queremos, ao menos são confortáveis.

É difícil aceitar que tudo que acontece em nossas vidas é nossa responsabilidade. E aqui, não estou me referindo a culpa, não estou julgando nada.Simplesmente nossa realidade reflete quem somos, vibracionalmente falando. E quem ainda não quer acreditar nesses princípios, fica preso a repetir o condicionamento que já conhece. Mas passada a crise inicial, esse conhecimento é o mais sensacional que alguém pode ter, o mais libertador, o mais… mais tudo! Afinal, se eu posso fazer da minha vida uma merda, significa também que posso fazê-la sensacional!

Se eu posso criar minha realidade então… posso deixar de ser um peixe fora do ninho e criar nessa existência a minha casa, o lugar que me sinto bem, que me acolhe, que me ama incondicionalmente, que me sinto integrada e presente.

Um peixe fora do ninho pode criar seu próprio mundo

Li recentemente, mas não me lembro o autor, que se a gente tem a sensação de não pertencer a esse mundo, de ser um peixe fora do ninho, então viemos para cá para construí-lo aqui. E essa construção começa em nosso interior, jogando fora tudo que não nos serve mais (ideias, crenças, sentimentos, lembranças etc), deixando nossa alma leve, renovada; energizando-a com momentos de alegria e bem-estar.

É inútil tentar plantar uma semente ótima num solo esgotado, é preciso de bons nutrientes. E nossa alma/mente também precisa. Aí sim, os bons pensamentos, crenças enriquecedoras, bons sentimentos podem florescer. E quando você menos espera, começa a ver aquela flor, que só existia no seu planeta, a despontar bem alí do seu lado.