Uma Tranqueira e muita saudade

Uma Tranqueira e muita saudade

Foi um daqueles dias difíceis: eu estava sozinha cuidando do meu pai e da minha avó doentes em casa, além de lidar com as outras tarefas do dia-a-dia. Minha avó me chamou mas eu não ouvi, estava muito longe, e só percebi porque a Magda, nossa “doguinha” veio latir atrás de mim.

Percebi que o latido era diferente e por isso fui ver o que estava acontecendo. Depois de atender a necessidade de minha avó, a Magda foi pro seu posto em cima da cama dos meus pais, de onde ela podia ouvir qualquer um dos doentes da casa, e assim, ela me ajudou como uma verdadeira enfermeira.

Fui criada com cachorros desde bebê, e em algumas fases de nossas vidas tivemos gatos, passarinhos, papagaios e até tartaruga. Mas acho que nenhum desses animais, por mais querido que tenham sido (e todos foram!) fez tão parte da família quanto a Magda.

Sim, nossos pets sempre tiveram nomes de “gente”, e em geral, eram mais gente do que muito humano. No caso da Magda, sua sensibilidade era anormal.

Lembro também de um dia, durante um período que lidava com a depressão, que cheguei bem triste em casa, tipo não querendo papo, sabe? Mas ela não sabia, ou melhor não queria me ver assim, e com seu jeitinho pidão trouxe sua bolinha para que eu jogasse com ela, e só se sentiu satisfeita quando percebeu que eu já estava sorrindo.

A Magda era a bebê da família: ganhava presentes no aniverário e no Natal, viajava com a gente, dormia na cama e se sentia a dona do pedaço. Adorava jogar bolinha e brincar com aquelas ponteiras luminosas (aliás, ela sabia até onde a “luzinha” ficava guardada e latia para a gaveta sempre que queria brincar). Foi o único “catioro” que conheci que adorava fogos, e se ouvia a voz do Galvão Bueno, saia correndo para vê-los na janela.

Ela viveu com a gente por quase 20 anos (19 e meio pra ser mais exata). Sim, ela já se foi, e sua lembrança ficou. Sinto saudade daquela branquinha a quem eu chamava carinhosamente de Tranqueirinha (e ela atendia hahahaha). Parece que a saudade é proporcional ao tempo que passamos juntos do ser amado.

Não acredito em fim para humanos nem para animais, por isso sei que ela está em um lugar onde ela pôde voltar a viver dignamente, mas é impossível não ficar triste ao constatar sua ausência.

Ser capaz de amar um animal me parece ser o supra sumo de um sentimento incondicional. Eles nos pedem tão pouco, e nos dão tanto; eles não te julgam, apenas te amam. E mesmo distante, essa anjinha de 4 patas continua cuidando de mim. Obrigada, Magda, por ter feito parte de nossas vidas.

 

Magda

NO COMMENTS

GIVE A REPLY