Wild wild country – resenha

Wild wild country

Pensei muito se deveria ou não escrever uma resenha sobre o documentário original da NetflixWild wild country”, porque sinceramente, fiquei muito dividida quanto a minha opinião a respeito. Mas, diante dos (poucos) comentários que li à respeito on line, achei que deveria ao menos expor o que pensei.

Wild wild country” conta a história de quando Osho, então conhecido como Bhagwan Shree Rajneesh, foi para os Estados Unidos e junto com seus seguidores fundou a comunidade de Rajneeshpuram no Estado de Oregon.

O documentário não tem como objetivo apresentar as ideias de Osho, mas sim, os conflitos enfrentados entre a comunidade recém criada e os habitantes locais. Tanto, que podemos dizer que o próprio Osho fica em “segundo plano” (com algumas ressalvas nessa minha colocação) já que a personagem em evidência é sua secretária particular, Sheela, presidente da organização do Osho e também sua porta-voz.

Sheela foi a responsável por encontrar o lugar adequado para levar a comunidade (quando Osho estava sendo ameaçado na Índia) bem como administrá-la durante praticamente todo o tempo de sua existência (Rajneeshpuram existiu de 1981 à 1985 segundo o documentário).

Bom, não é difícil imaginar como os seguidores de Osho foram recebidos em Antelope, uma pequena cidade dos EUA com cerca de… 40 habitantes (?!?!?!). Pois é, não demorou muito para os problemas começarem e Sheela reagiu ao mesmo nível, usando desde violência até manipulação das leis americanas para conquistar seus objetivos.

Enquanto essa comunidade – que tinha por objetivo viver o prazer, a celebração e paz – vivia a tensão de uma guerra iminente se armando e tomando o poder na região, Osho estava… em SILÊNCIO. Sim, e até hoje me pergunto, como o líder de algo (seja espiritual, religioso, político, comercial etc) pode simplesmente ficar ausente do que acontece em sua comunidade? E pior, alegar que “não sabia o que estava acontecendo”?

(Alguém nota alguma semelhança com a história que estamos vivendo atualmente no Brasil?)

Eu sou leitora dos livros do Osho há muitos anos, e gosto de grande parte da sua filosofia. Mas sou uma pessoa crítica, avalio e penso por mim mesma, por isso não aceito tudo como certo, simplesmente. Ou seja, também tem muita coisa com a qual não concordo em seu ponto de vista. Mas, nunca consegui assistir suas palestras em vídeo; já tentei, mas algo na pessoa do Osho me incomoda. Então pra mim, sempre o encarei como um “escritor” qualquer (os livros do Osho são transcrições de suas palestras), então tiro o que me serve e dispenso o resto.

Por isso também, esse documentário me deixou bem divida. É difícil dizer se foi tendencioso ou não. A mim, me parece mais que ele focou um lado da história não contada anteriormente. Inclusive, quem estiver assistindo atentamente, percebe as autoridades americanas admitindo que forçaram o Osho a admitir a culpa para conseguirem extraditá-lo, já que as provas em si, não eram o suficiente para condená-lo.

Além disso, o documentário apresenta muitos dos personagens que viveram em Rajneeshpuram e também que combateram em Rajneeshpuram, quase como um tribunal onde o juiz é quem está assistindo. Porém, achei a linguagem da narrativa bem cansativa, quase monótona. Me parece que tem tempo demais para assunto de mesmo.

Para quem gosta do assunto e, acima de tudo, gosta dos ensinamentos do Osho, acho o documentário até essencial. Isso porque acredito que a gente precisa ser mais crítico quanto às ideias que vêm de fora, não importa o status de quem as propaga. Nossa liberdade de ser depende de nossa liberdade de pensar e de escolher, mesmo que a  escolha seja só alguns fragmentos de ideias.

Assista ao trailer de “Wild wild country”

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